O metaverso no Brasil e um panorama global (breve, porque é um assunto amplo…)

Conheça uma das empresas brasileiras que já trabalha com tecnologias para a "nova internet”. E veja alguns dos avanços no cenário do metaverso no mundo.

2022 tá só començando, muita coisa ainda vai rolar nesse terceiro ano de pandemia, eleições presidenciais no Brasil, evolução exponencial de muita coisa, começo do fim de tantas outras…

Mas um dos poucos assuntos que a gente pode prever já pra retrospectiva lá em dezembro é: metaverso.

Em 2021, ele ficou definitivamente popular com os anúncios do Facebook, que até mudou de nome por causa do Metaverso e virou Meta ($FB). E também com o IPO da Roblox, plataforma de games e um dos maiores players do mercado de metaverso. Mas o que não deve ser solucionado em apenas doze meses é a definição dele.

Mark Zuckerberg, ou melhor, o avatar dele - que, na verdade, são a mesma coisa no metaverso - no anúncio da plataforma Horizon Worlds, em jun/2021.

O que é metaverso

元界 em mandarim, metaverse em inglês e em praticamente todos os outros idiomas - exceto em português. Ah, e em catalão, que fala metavers. :)

Mas traduzir o significado ainda é complexo. E isso é sintomático: o metaverso é algo sem limites, ultrapassa até a nossa capacidade de compreensão neste momento, em que ainda não estamos de cabeça dentro dele.

Claro que tem gente que já passa boa parte do dia, ou da noite, num metaverso, afinal, os games são um “ensaio" do que será o futuro de toda a internet. Talvez um exemplo possa ajudar num desenho mental simples: não vamos mais vai entrar no Instagram com login e senha, e ficar dando scroll na tela ou clicando pra passar os stories. Vamos “adentrar” no Instagram “fisicamente", com nossos avatares e… bem, aí o que vamos fazer a partir disso é com o Mark Zuckerberg. E com os tantos desenvolvedores de softwares e outros profissionais dos quais ele está precisando e correndo atrás pelo mundo, inclusive no Brasil.

Ouça o podcast da Sprout com um panorama sobre o metaverso e as tendências desse mercado:

O que sabemos sobre o conceito de metaverso é: vamos sair dessa navegação em 2D (2 dimensões, nós e as telas do celular ou computador), para uma internet 3D, em que vamos circular num mundo virtual, através de óculos de realidade virtual que simulam ambientes e situações. E ali vão estar nossos amigos, online, com seus avatares. E vamos interagir, comprar, passear, conhecer pessoas novas, trabalhar, meditar, fazer festa, enfim, viver.

As experiências do metaverso também vão ocorrer através de realidade aumentada, tecnologia que traz avatares, objetos e situações virtuais para o ambiente real - aí onde você está agora, por exemplo, bem sentada na sua sala, bem deitado na sua cama, ou caminhando na rua, ou trabalhando no home office.

Na cozinha, fazendo um bolo, com um óculos de realidade aumentada, você vê a receita sendo executada por um chef renomado em 3D à sua frente. E pode interagir com ele - através de machine learning, ele vai estar treinado para responder intuitivamente ao que você falar. E se terminou o leite, você dá um comando de voz e "entra" no seu supermercado preferido, e já compra com poucos cliques. E em poucos minutos, um drone entrega à sua porta (aqui fomos longe, mas essa realidade não está tão longe assim).

Porém, a definição de metaverso vai muito além disso. Ela ficou muito atrelada aos headsets, em função do anúncio do Facebook em junho de 2021, com o Meta Quest, óculos de realidade virtual da Meta com a tecnologia da Oculus, empresa que Mark Zuckerberg comprou em 2014 por US$ 2 bilhões.

Assim como outros headsets, ele faz o usuário imergir em experiências 3D online. Além disso, acessórios vestíveis, com Internet das Coisas - ou IoT, na sigla em inglês para Internet of Things - vão otimizar a imersão, com camisetas que reproduzem a pressão de um toque ou empurrão, por exemplo. Mas o conceito de metaverso também não se resume a isso.

“É uma definição insanamente maior”, diz o cofundador e CEO da Supersocial, Yonantan Raz-Fridman, num dos episódios do podcast que a Bloomberg lançou em novembro de 2021 só sobre metaverso - “Into the Metaverse”.

Se dá pra resumir, metaverso é a internet toda em 3D, que a gente vai acessar de um jeito hiperrealista e imersivo, com avatares e uma vida paralela. Ou vidas, no plural.

Você poderá ser mais de uma pessoa no metaverso

Yon diz que vamos ter uma "mudança de paradigma no comportamento humano”. A Supersocial desenvolve games em metaverso, em parceria com a Roblox.

"Vamos manifestar nossa existência, personalidade, aspirações e desejos através dos avatares”, afirma Yon. "E a beleza disso é que não vamos ter só uma identidade, mas várias. A noção de trabalho também vai mudar. A pergunta 'o que você faz da vida?' vai ter a resposta 'qual vida? Na vida real ou no metaverso da Roblox?’”.

Nesse sentido, Yon fala em "identidades interoperáveis" em ambientes virtuais diversos, ou seja, em diversas plataformas, entre elas, as de blockchain. Sim, é uma loucura, todos concordamos.

Agnóstico a dispositivos

Um dos conceitos que especialistas em tecnologia trazem para metaverso é já conhecido em tecnologia da informação: agnóstico a dispositivos. Significa a tecnologia, seja hardware ou software, compatível com qualquer sistema.

Aplicado a metaverso, isso quer dizer que, pra acessar o novo mundo virtual, ninguém vai ficar dependente do óculos do Zuckerberg.

O metaverso vai ser pra qualquer pessoa com uma boa conexão e um celular na mão. Pra isso, claro, estamos dependentes de uma coisa, sim: 5G. Mas não de headset de alguma marca.

Os acessórios vão potencializar a experiência virtual. Eles é que vão ser a porta de entrada para algo mais imersivo. Mas a definição - e os limites do metaverso - são do tamanho da criatividade dos desenvolvedores, dos usuários, e da tecnologia - que, bem sabemos, surpreendem a cada dia, né?

Investir em metaverso

Mattew Kantterman, analista sênior em pesquisa de ações na Bloomberg, fala no podcast "Into the Metaverse” que o metaverso "está emergindo como a próxima grande plataforma de tecnologia, atraindo desenvolvedores de games, redes sociais e muito investimento”.

"Há muita modinha, mas também há muita consistência, desenvolvimento, e tendências animadoras” sobre o assunto, nas palavras dele.

Kantterman também faz uma previsão impressionante: “hoje, 2% da internet consegue viabilizar softwares 3D. Em 10 anos, serão 50% e isso é o metaverso”.

Yon Raz-Fridman complementa: “é uma extensão da realidade. Teremos displays por todos os lugares. Nos carros, aviões. Serão espaços virtuais imersivos. É a evolução da internet e todas as indústrias não serão apenas impactadas, mas terão que repensar o que metaverso significa para todos nós.

Em produtos, entretenimento, mídia, serviços financeiros - afinal, alguém que não é real vai ter uma carteira”.

Já focando no potencial econômico do metaverso, o ETF Roundhill Ball Metaverse foi criado em junho de 2021, reunindo 40 empresas que desenvolvem tecnologias para o setor, de pagamentos online e entretenimento a chips gráficos, como a Nvidia.

Startup brasileira no metaverso

Tem empresa brasileira desenvolvendo tecnologia para o metaverso. A Nexus Tecnologia, que já atuava com experiências virtuais para empresas, em eventos e treinamentos, está trabalhando com foco no novo mercado.

A startup desenvolveu uma solução para a Google ($GOOGL) usar no treinamento das equipes de varejo que vendem os equipamentos de uso residencial Nest Mini e Google Chromecast.

“Desenvolvemos a plataforma em realidade virtual que faz com que o colaborador que está em lojas de varejo por todo o Brasil consiga compreender como funcionam, os diferenciais, as aplicações. É como se fosse um onboarding, mas de um jeito diferente, tecnológico, de criar uma estrutura de treinamento numa escala de distância, num país continental. Você consegue ter um profissional especialista em cada um dos pontos. Enviamos o óculos de realidade virtual pra todas as regiões e as equipes de venda recebem o treinamento in loco, desenvolvido pelos profissionais da Google”, explica o fundador e CEO da Nexus Tecnologia, Felipe Coimbra.

A startup nasceu em 2013, desenvolvendo soluções em realidade virtual para o mercado imobiliário. Ampliou a atuação para atender empresas com foco em live marketing, ativação e positivação de marcas, e gameficação para marcas.

Neste episódio do podcast Brotando, da SproutFi, saiba mais sobre as iniciativas da empresa no metaverso e outros tópicos quentes sobre o assunto em nível mundial.

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