Entenda o que são sin stocks - e por que alguns investidores apostam nessas ações em períodos de crise

Empresas que se enquadram como “ações do pecado” costumam atrair investimentos pela demanda inelástica, que tende a passar ilesa - ou quase - em momentos de turbulências econômicas, como recessão.

Sin stocks, traduzindo, significam ”ações do pecado". O termo se refere as ações de empresas que atuam em setores considerados, em algum ponto, como “imorais” ou “antiéticos".

Em geral, são consideradas sin stocks as ações dos mercados de bebidas alcoólicas, tabaco, armas e munição, jogos de aposta, e maconha (no mercado legalizado). 

Portanto, as sin stocks estão relacionadas a atividades que carregam algum tabu e que dividem opiniões, principalmente nos âmbitos religioso e político.

James Cherry, diretor de conteúdo da sproutfi, explica que existem pontos positivos a investir em uma empresa que é considerada "ação do pecado”:

“Normalmente, são empresas que trabalham com produtos que têm a chamada demanda inelástica. Ou seja, é uma demanda que não muda, ou muda muito pouco, mesmo que haja variações de preço ou mudanças no contexto econômico. Por exemplo, a cerveja e o cigarro podem ficar mais caros, mas, em geral, as pessoas continuam consumindo. Em tempos de recessão, tendem a consumir ainda mais, como mostram análises ao longo da história.”

James Cherry também cita os riscos regulatórios das empresas sin stocks: “os concorrentes têm muito dificuldade de entrar no mercado. Não é fácil, por exemplo, criar uma empresa que faz bebidas alcoólicas, ou que produz armas e munição. Tem muitas regulações e riscos - entre eles, riscos políticos. Isso porque um novo governo pode entrar no poder e mudar legislações ou regulamentações, aumentar imposto - o chamado sin tax, ou “imposto do pecado” - ou tomar qualquer outra medida que impacte as vendas ou o lucro de empresas sin stocks

Ouça o episódio do podcast da sproutfi sobre sin stocks e mercado da cannabis.

ETF de sin stocks

Há diferentes ETFs focados em sin stocks. Também são chamados de "vice-ETFs" ou "ETFs de vícios" (vício, pecado, tudo na mesma linha de raciocínio...).

Aqui, citamos três dentre os que têm maior volume de ativos sob gestão (AUM - Assets Under Management) segundo a plataforma InvestorPlace e com valores checados na plataforma ETF.com.

Entenda o que é ETF

BAD ETF ($BAD)

O nome “bad” é uma referência ao foco contra-ESG desse fundo.

Entenda o que é ESG.

O BAD ETF reúne entre 50 e 65 empresas listadas nos Estados Unidos que têm a maior parte da receita vinda de apostas, como negócios de cassinos e jogos, produção e distribuição de bebidas alcoólicas, cultivo de cannabis, e também produção de medicamentos farmacêuticos e produtos biotecnológicos.

Possui US$ 7,67 milhões em ativos sob gestão.

AdvisorShares Vice ETF ($VICE)

Concentra-se em ações de crescimento através da exposição direta a empresas líderes da indústria de álcool e tabaco, alimentos e bebidas, e jogos - entre eles, cassinos e apostas esportivas em esports e corridas. Além disso, são empresas que obtêm pelo menos 50% das receitas nesses mercados de "vício".

O VICE também tem alocação de parte dos recursos em empresas do mercado da cannabis. E também é administrado "contra-ESG".

O AdvisorShares Vice ETF tem US$ 10,56 milhões em ativos sob gestão.

VanEck Gaming ETF ($BJK)

Para compor esse ETF, as empresas devem obter mais de 50% das receitas a partir de atividades na indústria global de jogos.

O VanEck Gaming reúne 39 companhias (dados de 15 de março de 2022 da ETFcom), entre elas, a Las Vegas Sands Corporation, de cassino e resorts.

Gere US$ 84,43 milhões em ativos.

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Disclaim: lembre-se de que as informações fornecidas aqui são para fins educacionais e não devem ser consideradas como aconselhamento jurídico, tributário ou de investimento. É importante lembrar que ETFs são voláteis e também que o desempenho passado não garante o desempenho futuro. Consulte um advogado ou um profissional da área sobre a sua situação específica.