Como funciona o ETF inverso?

O ETF invertido ou ETF inverso é um fundo que aposta na queda de um índice de ações. Esses ETFs podem ser vistos como uma forma de proteger a carteira ou de lucrar com a queda da bolsa. No entanto, esse tipo de investimento apresenta alguns riscos que não podem ser ignorados pelos investidores.

A sigla ETF significa Exchange Traded Fund, ou fundo de índice, em português. Existem vários ETFs e cada um deles acompanha o desempenho de um índice, que, por sua vez, é formado por um grupo de ações

Portanto, o investidor que compra um ETF ganha dinheiro quando ocorre uma valorização das ações que compõem o fundo ao qual aquele ETF é indexado.

Contudo, pensando nos investidores que apostam na queda das ações, foi criado o ETF inverso.

Antes desse ativo ser criado, a forma mais comum de tentar lucrar com a queda da bolsa era através da chamada operação short. Consiste em "alugar" ações de outros investidores para vender esses papéis, como uma aposta de recomprá-los por um valor mais baixo depois - e, dessa forma, lucrar com essa transação.

Mesmo depois da criação dos ETFs inversos, ainda há investidores que fazem short. Contudo, para realizar essa operação, é preciso deixar um valor considerável de garantia na corretora, o que não precisa ser feito por quem compra um ETF inverso.

Continue lendo este texto para descobrir como o ETF inverso funciona e saber quais são as vantagens e desvantagens desse tipo de ativo. Além disso, conheça os principais ETFs invertidos negociados nas bolsas americanas.

Como funciona um ETF inverso?

A maioria dos ETFs invertidos está atrelado a um índice de ações, como o S&P 500, por exemplo. Contudo, também há ativos desse tipo que apostam na queda de ações de um determinado setor, como o agrícola ou o industrial, por exemplo.

Os ETFs inversos podem ser formados por opções, títulos derivativos e contratos futuros. Como esses papéis possuem um prazo de validade - que na maioria das vezes é muito pequeno -, esses fundos não podem ser considerados investimentos de longo prazo.

Além disso, os gestores desses ETFs costumam negociar diariamente os contratos que compõem os fundos. Portanto, não há nenhuma garantia de que o ETF inverso vai acompanhar o desempenho de uma determinada ação ou de um grupo de ações por muito tempo.

O objetivo de quem compra esse ativo é lucrar com a queda do mercado. Sendo assim, quem comprou um ETF invertido atrelado ao índice S&P 500, por exemplo, vai ganhar dinheiro quando as ações que compõem esse indicador caírem. 

Qualquer pessoa pode comprar um ETF invertido, basta ter uma conta em uma corretora. Alguns investidores adquirem esse tipo de ativo como uma forma de proteger as suas carteiras de quedas da bolsa. Já outros investidores compram esses fundos porque acreditam que o mercado vai cair e querem lucrar com isso.

Também é possível fazer operações alavancadas com ETFs inversos. Nesse caso, o investidor pode conseguir obter um lucro maior caso as ações as quais o ativo está atrelado realmente caiam. 

No entanto, para fazer esse tipo de operação é preciso deixar um valor de garantia na corretora. Além disso, comprar ETFs ou qualquer outro ativo no modo alavancado é uma operação muito arriscada.

Quais são os riscos de investir em ETF inverso?

Investir em ETFs inversos é considerado arriscado, porque esses ativos são especulativos e se baseiam em uma leitura momentânea do mercado, que costuma ser muito volátil no curtíssimo prazo. Isso faz com que a maioria desses ativos seja vendida no mesmo dia. 

Os investidores que mantêm um ETF inverso na carteira por vários dias costumam ter mais prejuízo, já que precisam reequilibrar suas posições para evitar maiores perdas.

Alguns desses fundos também podem montar posições a descoberto, ou seja, quando vendem ativos que não possuem com a expectativa de comprá-los mais baratos depois de algum tempo. Esse tipo de operação deixa os investidores muito expostos às variações do mercado e também à possibilidade desses ativos estarem com baixa liquidez, o que dificultaria a compra no momento certo.

Além disso, esses ativos podem não acompanhar de maneira proporcional o desempenho inverso dos índices aos quais eles estão atrelados. Isso pode acontecer por causa dos efeitos negativos da rolagem de contratos futuros e das despesas do próprio fundo.

Quais são os principais ETFs invertidos negociados nas bolsas de valores dos Estados Unidos?

Atualmente, as bolsas americanas possuem muitas opções de ETFs inversos para quem deseja investir nesse ativo. Abaixo, listamos alguns exemplos desse tipo de ETFs invertidos, para você ficar mais por dentro do assunto. 

Os top 5 ETFs inversos de acordo com o volume de ativos sob gestão (AUM, Assets Under Management)

  • ProShares UltraPro Short QQQ ($SQQQ)
    Tem US$ 2,73 bilhões em ativos sob gestão e taxa de administração de 0.95% ao ano.
  • Pro Shares Short S&P 500 ($SH)
    Tem US$ 2,11B em AUM e taxa de administração de 0.90% ao ano.
  • ProShares UltraShort 20+ Year Treasury ($TBT)
    Tem US$ 1,37 bilhões em ativos sob gestão e taxa de administração de 0.92% ao ano.
  • ProShares Short QQQ ($PSQ)
    Tem US$ 0,84B em AUM e taxa de administração de 0.95% ao ano.
  • ProShares UltraShort S&P500 ($SDS)
    Tem US$ 0,70B sob gestão e taxa de administração de 0.91% ao ano.

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Disclaim: importante lembrar que em qualquer investimento denominado em moeda estrangeira, as mudanças nas taxas de câmbio podem ter um efeito adverso no valor, no preço ou na receita de dividendos desse investimento. Mesmo que a diversificação possa ajudar a diluir o risco, ela não garante lucros ou proteção contra perdas. Há sempre a possibilidade de perder dinheiro quando você investe em qualquer produto financeiro. Por isso, considere cuidadosamente seus objetivos e riscos antes de optar por qualquer investimento.