Quando você terá um veículo elétrico?

Carros elétricos baratos ainda estão distantes. Enquanto não entram na sua garagem, podem entrar na sua carteira de investimentos. E não só através de ações de montadoras gigantes como a Tesla. Conheça duas empresas chinesas que também se destacam nesse mercado.

Como praticamente tudo o que diz respeito a aquisições nessa vida, o prazo para você ter um carro elétrico depende de quanto dinheiro você tem. Mas se dependesse só das empresas de veículos movidos a energia renovável, você já estaria rodando a mil por aí com um modelo bonito, rápido. E que pode dirigir sozinho.

Em geral, quando se fala em carros elétricos, Tesla ($TSLA) costuma ser a empresa mais lembrada. Afinal, foi a pioneira e detém dois terços do mercado de veículos elétricos.

Para comprar a versão mais simples do Modelo X (foto abaixo), é preciso desembolsar US$ 98.940, já contabilizando o incentivo fiscal do governo da Califórnia, de US$ 750, e a economia de gasolina, estimada em US$ 6.050. A conta é feita pela Tesla na página em que se faz a reserva de compra (não abre em computadores no Brasil). A entrega do carro está prevista para janeiro de 2023.

Modelo X, da Tesla. Enquanto ele dirige, você pode jogar o videogame instalado no painel. Foto: Divulgação/Tesla

Fundada na Califórnia, a Tesla tem alcançado cada vez mais visibilidade - por vários motivos, entre eles, pelo fundador e CEO pop star. Elon Musk não veio ao mundo - nem vai ao espaço - a brinquedo (apesar de, algumas vezes, parecer que está querendo fazer zoeira). É o homem mais rico do mundo e esta semana foi eleito a personalidade do ano pela revista Times.

"Musk acreditou desde o início que os avanços na tecnologia das baterias de íon-lítio tornariam possíveis os veículos elétricos de longo alcance”, diz a publicação. "Hoje, em grande parte graças ao ritmo que Musk estabeleceu, as montadoras, da VW à Nissan, estão lutando para investir bilhões em veículos elétricos”. A Toyota também. A montadora japonesa anunciou recentemente que vai investir US$ 1,29 bilhão na construção de uma fábrica de baterias para veículos elétricos nos Estados Unidos.

Empresas chinesas da indústria de motores elétricos

Elon Musk liderou a largada dos veículos elétricos. Mas sabe que precisa acelerar pra manter o pódio no setor. Muitas outras companhias e startups também estão rodando muito bem. Uma das que fazem o mercado financeiro virar o pescoço como um espectador de Fórmula 1 é a chinesa Xpeng ($XPEV).

Ela colocou na rua mais de 25 mil carros no terceiro trimestre de 2021, quase três vezes mais do que no mesmo período do ano passado. Com isso, viu a receita aumentar em 187%.

A Xpeng tem dois modelos de carros elétricos, o sedan de luxo P7 e o esportivo G3, da foto abaixo. Tem 12 sensores ultrassônicos e inteligência artificial com interação de voz. Ou seja, o motorista conversa com o carro. E pode pedir, inclusive, que o carro se estacione sozinho - o que ele faz com precisão.

Estacionamento automático da Xpeng encaixa o carro em vagas com distâncias de 40 cm. Sem um arranhão. Foto: Divulgação/Xpeng

Ao mesmo tempo, o investimento pra desenvolver toda essa tecnologia é alto. Os gastos da Xpeng com pesquisa e desenvolvimento (P&D) dobraram no terceiro trimestre deste ano em relação ao mesmo período de 2022.

Fornecedores de tecnologias e matérias-primas para carros elétricos

O mercado financeiro não mira só nas gigantes do setor. Empresas menores ou periféricas, que fornecem suprimentos para as montadoras, são fundamentais para a engrenagem da indústria global de motores elétricos. E têm se destacado como possibilidades de investimento.

Uma delas é a Contemporary Amperex Technology Limited, conhecida pela sigla CATL ($SHE).

É a maior fabricante mundial de baterias de de íon-lítio, fundada em 2011. Também desenvolve sistemas de armazenamento de energia e de gerenciamento de baterias.

Mercado de veículos elétricos

Hoje, 10 milhões de carros elétricos e 1 milhão de ônibus, vans e caminhões 100% elétricos estão nas ruas pelo mundo, segundo a Agência Internacional de Energia (IEA na sigla em inglês), organização internacional, com sede em Paris, responsável por orientar as políticas relacionadas a energia nos 30 países membros.

Em 2020, o crescimento nas vendas foi de 41% em relação a 2019. Foram 3 milhões de unidades vendidas

Até 2025, o estoque de veículos elétricos de 4 rodas ou mais deve chegar a 70 milhões em âmbito global. E a 230 milhões de unidades em 2030. Já o estoque de veículos elétricos de duas ou três rodas vai ser de 490 milhões em 2030. Os números - impressionantes - são do relatório mais recente da IEA.

Companhias chinesas estão à frente nessa estrada. De acordo com a IEA, a China é o maior mercado de veículos elétricos do mundo. Respondeu por60% das vendas globais de carros elétricos de duas ou três rodas em 2020. O país também é líder na fabricação e comercialização de ônibus elétricos.

Por isso, a maior demanda por baterias de íon de lítio está na China, que deve seguir como o maior mercado nos próximos anos, seguida pela Europa e pelos Estados Unidos, segundo a IEA.

Em 2020, a capacidade global de fabricação de baterias de íon de lítio para automóveis foi de cerca de 300 GWh. Na próxima década, a demanda deve chegar a 3,2 TWh. Ou seja, empresas que abastecem as montadoras com essas baterias serão cada vez mais importantes no cenário mundial.

Indústria aquecida contra o aquecimento global

O setor de veículos elétricos apresenta bons números não só em cifrão. Em 2020, o uso de carros elétricos evitou a emissão de mais de 50 milhões de toneladas de CO2 equivalente no mundo. Os maiores responsáveis por essa mitigação foram os carros de duas a três rodas na China.

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