Wish nem tão desejada assim…

Pelo menos, por ora. A plataforma global de e-commerce que conecta fabricantes e pequenos vendedores aos compradores tem preços atrativos para os usuários, mas não anda tão atrativa para os investidores. Entenda por quê.

A queda nos resultados de alguns setores em 2021, em relação a 2020, já era um cenário previsto. Digamos que não foi uma surpresa ver números ficando mais tímidos nos balanços trimestrais de grandes players - inclusive de GAFAM (Google, Apple, Facebook, Amazon e Microsoft).

Isso porque, no primeiro ano de pandemia, o desempenho das empresas de produtos e serviços que foram a “salvação” no dia a dia do isolamento- como e-commerce e tecnologia - teve um aumento abrupto e exponencial. E já era entendido que esse seria um movimento difícil de ser sustentado no médio e longo prazo, especialmente quando analisados os picos nem sonhados pra 2020.

O comércio eletrônico, por exemplo, sentiu uma desidratação com a reabertura das lojas físicas, conforme a vacinação contra a Covid-19 avançava. Mas, mesmo nesse contexto, a queda sofrida pela Wish ($WISH) chama a atenção.

O que é a Wish

A Wish (do inglês, “desejo”) é uma das maiores plataformas de e-commerce do mundo e funciona por aplicativo de celular e website. É operada pela ContextLogic Inc., com sede em São Francisco, na Califórnia (EUA).

Fez IPO em dezembro de 2020 atingindo o preço de US$ 24 por ação. Mas vive uma queda de quase 90%. No dia em que escrevemos este conteúdo (15/fev/2022) fechou cotada a US$ 2,65. A capitalização de mercado da Wish está em US$ 1,71 bilhão - bem abaixo dos cifrões de concorrentes (veja abaixo).

Por que Wish caiu tanto?

A empresa - adorada pelos compradores por seus preços baixos, e pelos vendedores, por praticidade e taxas acessíveis - andou tendo alguns problemas sérios nos últimos meses:

  • Evasão de usuários: antes do IPO, em dezembro de 2020, a Wish atraía mais de 100 milhões de usuários ativos mensais. No terceiro trimestre de 2021, esse número caiu para cerca de 60 milhões;
  • Crescimento da receita diminuindo a cada trimestre;
  • Reclamações em relação à qualidade dos produtos e demora nas devoluções;
  • Medidas punitivas na França, onde a plataforma foi banida em função dos problemas com produtos e entregas, e o respingo disso em outros países da Europa;
  • Saída repentina do fundador e CEO desde 2010, Piotr Szulczewski, que renunciou ao cargo em novembro de 2021.

Um dos motivos levantados por analistas para a baixa qualidade dos produtos é a dependência que a Wish tem dos produtos chineses, que, em geral, são os que sustentam a boa fama da plataforma de preços baixos - e, agora, também, da baixa qualidade de muitos deles.

Perspectivas de longo prazo para a Wish

Este mês, assumiu o novo CEO, Vijay Talwar, recebido com boas expectativas pelo mercado, pela sua experiência no setor. E o time também recebeu mais reforços, com nomes vindos de gigantes como a Google.

Outras medidas que têm devolvido um ânimo para os acionistas da Wish são o controle das despesas com marketing e o aumento dos investimentos em logística. Além disso, a empresa passou a dar incentivos financeiros para os vendedores mais bem avaliados na plataforma, cupons de desconto para compras e a opção BNPL ("buy now, pay later" - ou “compre agora, pague depois”, uma espécie de compra no crediário que, aqui no Brasil, a gente já conhece bem, né).

Só que qualquer estratégia que incorra em tirar dinheiro do bolso, no caso da Wish, não se sustenta para além do curto prazo, segundo especialistas, já que o caixa amarga com as quedas de receita.

Mas, no geral, para o longo prazo, analistas que vislumbram uma virada de jogo a partir dessas mudanças

Concorrentes da Wish

A Wish - que já foi até cobiçada pela Amazon - tem entre alguns dos principais "concorrentes" no mercado de ações:

Ozon Holdings PLC - ADR ($OZON)

Plataforma de e-commerce com sede no Chipre e atuação na Rússia. Os números da Ozon são dignos de uma líder no maior país em extensão territorial do mundo. A capitalização de mercado é de US$ 4,81 bilhões e as ações estão cotadas, neste dia (15/fev/2022), a US$ 22,23. A empresa atua em duas frentes: Ozon.ru, que funciona como a Wish, conectando compradores e vendedores de produtos, incluindo o serviço de entrega; e Ozon.travel, de venda de passagens de avião e de trem. Ambos serviços funcionam via app ou website.

Revolve Portugal ($RVLV)

Tem sede na Califórnia (EUA). Fundada nos primórdios do e-commerce, em 2003, a empresa é considerada um império do mundo fashion. A plataforma reúne grandes marcas de roupas e acessórios, e se define como uma comunidade em que os usuários se conectam com influidores que os inspiram. É uma das estratégias de marketing que resultou em bons frutos ao longo dos anos. Em 2020, a Revolve começou a sentir uma retração nas vendas, mas agiu rápido - e de forma assertiva: acionou os robôs pra dizerem o que os usuários estavam mais buscando na pandemia. Com inteligência artificial e estratégia baseada em dados, descobriu que a preferência era por cosméticos e outros produtos de skincare (cuidados com a pele), roupas e acessórios esportivos e de lazer. Ajustou as velas e tem navegado bem até agora. Hoje (15/fev/2022), a ação da Revolve está cotada a US$ 61,26 e a capitalização de mercado da companhia é de US$ 4,47 bilhões.

Insight Enterprises Inc. ($NSIT)

A empresa com sede no Arizona (EUA) tem uma atuação diferente das outras três que abordamos até aqui. Não consiste em uma plataforma de e-commerce, mas sim fornece soluções para outras empresas digitalizarei os seus negócios - e as suas vendas, se for o caso. Oferece, por exemplo, serviços de nuvem e datacenter, para empresas de todos os tamanhos. A capitalização de mercado da Insight Enterprises é de US$ 3,31 bilhões. As ações estão cotadas a US$ 97,25 (15/fev/2022).

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