Por que a inflação está nas alturas?

Veja os dez países com a maior taxa de inflação do mundo. E conheça os ETFs de setores que poderiam reforçar sua carteira nesse cenário de alta de preços.

Que as coisas estão mais caras todo mundo já sabe. Basta fazer uma comprinha no supermercado, abastecer o carro, ou pagar aquele boleto da conta de luz pra sentir - como um soco no bolso - o aumento generalizado dos preços.

É uma pauta que está dominando o nosso dia a dia. Mas não é exclusividade do Brasil, não. O fenômeno é global  – e tem raízes na pandemia de Covid-19.

Os lockdowns e a paralisação das atividades pra conter o avanço do coronavírus levaram a um enxugamento ou até rupturas abruptas da cadeia de produção em diversos setores – e, consequentemente, na oferta de produtos.

Fábricas fecharam as portas em todas as partes do mundo, gerando escassez global de insumos, como a falta de chips, por exemplo. A logística de distribuição também freou.

Aí, com a imunização em larga escala, as economias foram reabrindo. Com isso, a demanda no consumo voltou a crescer. Mas as cadeias produtivas ainda não estavam totalmente normalizadas. E então, vem a clássica lei da oferta - nesse caso, baixo - e da demanda - aumentado de forma acelerada. E aí os preços começaram a subir.

Além disso, começou uma guerra. A invasão da Rússia na Ucrânia pressionou ainda mais os preços. Isso porque Rússia e Ucrânia são grandes produtores e exportadores de commodities, como petróleo, trigo e milho. A guerra gera incerteza sobre a oferta desses produtos, o que também eleva os preços.

Para você ficar por dentro desse assunto, fizemos um ranking com os dez países que apresentaram as maiores taxas de inflação até fevereiro de 2022, de acordo com dados da plataforma Trading Economics.

O Brasil aparece em terceiro lugar, com inflação acima de 10% em 12 meses – mais que o dobro do teto da meta do governo.

Já nos EUA, a inflação beira os 8% ao ano – a maior alta em 40 anos. Essa disparada de preços levou o Federal Reserve a aumentar os juros americanos pela primeira vez desde 2018.

Ainda segundo a Trading Economics, na Zona do Euro, a inflação média é de 5,9%.

Quais setores historicamente tiveram um bom desempenho em tempos de inflação alta?

Já fizemos um artigo aqui na Sproutfi mostrando onde investir em tempos de inflação alta.

Um desses setores indicados por analistas é o de bens de consumo, ou consumer staples, que também já explicamos aqui.

Bens de consumo são produtos de primeira necessidade, aqueles que as pessoas não deixam de comprar mesmo em tempos de dificuldade. Atendem a necessidades básicas, como alimentação e higiene pessoal.

Por isso, as empresas do setor de consumer staples tendem a continuar performando bons resultados, de uma forma geral. Isso porque as vendas continuam girando. E mais do que isso: as companhias conseguem repassar o aumento dos custos para os produtos – e, mesmo assim, o consumo se mantém. Ou seja, essas empresas tendem a continuar rentáveis.

Outros setores que costumam ter um bom desempenho em períodos como esse são energia, saúde e tecnologia.

Conheça agora alguns ETFs ligados a esses setores. Lembrando que um ETF é um fundo que replica o desempenho de um índice – e, segundo especialistas, é uma forma simples e acessível de diversificar a carteira de investimentos.

ETFs de Bens de Consumo

$XLP

A estratégia desse ETF, da gestora Spider (SPDR), é investir em todas as empresas de bens de consumo do S&P 500 na mesma proporção do índice: são 32 empresas no portfólio do fundo. Tem US$ 15,4 bi sob gestão e a taxa de administração é de 0,12% ao ano.

$VDC

ETF de bens de consumo da gestora Vanguard. Ele segue o índice MSCI US Inv. Market Consumer Staples – ou seja, investe em todas as empresas de consumer staples dos Estados Unidos. São cerca de 100 empresas no portfólio do fundo. Tem US$ 6,7 bilhões sob gestão e a taxa de administração é de 0,10% ao ano.

ETFs de Energia

$XLE

Com US$ 37,7 bilhões sob gestão, esse ETF da gestora Spider segue o desempenho das gigantes do setor de energia que integram o S&P 500, incluindo empresas de petróleo, gás, e indústrias de equipamentos e serviços de energia. A taxa de administração é de 0,10% ao ano.

$VDE

ETF da Vanguard, investe nas empresas de energia dos Estados Unidos, cobrindo 98% do mercado. Tem US$ 8,31 bilhões sob gestão e taxa de administração de 0,10% ao ano.

ETFs de Saúde

$XLV

ETF da Spider que investe nas empresas de saúde listadas no S&P 500, como companhias de produtos farmacêuticos, equipamentos, suprimentos, e serviços de saúde e biotecnologia. Tem US$ 36,8 bilhões sob gestão e taxa de administração de 0,10% ao ano.

ETFs de Tecnologia

$XLK

ETF da Spider que investe nas empresas de tecnologia listadas no S&P 500. Diferentemente de outros ETFs de tecnologia, ele é focado nas empresas mais consolidadas do setor, sem as chamadas small caps, que são companhias iniciantes. Tem US$ 45,9 bilhões sob gestão e taxa de administração de 0,10% ao ano.

$ARKK

ETF da Ark que investe em empresas de inovação de tecnologia de ponta, de áreas como automação, transporte, energia e inteligência artificial. Tem US$ 12,5 bilhões sob gestão e taxa de administração de 0,75% ao ano.

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Disclaim: importante lembrar que em qualquer investimento denominado em moeda estrangeira, as mudanças nas taxas de câmbio podem ter um efeito adverso no valor, no preço ou na receita de dividendos desse investimento. Mesmo que a diversificação possa ajudar a diluir o risco, ela não garante lucros ou proteção contra perdas. Há sempre a possibilidade de perder dinheiro quando você investe em qualquer produto financeiro. Por isso, considere cuidadosamente seus objetivos e riscos antes de optar por qualquer investimento.