O mercado da maconha

Produtos medicinais e recreativos de cannabis alimentam um mercado crescente e empresas do setor acumulam números que, segundo analistas, tendem a crescer ainda mais.

Um dos mercados de cannabis mais avançados no mundo é o dos Estados Unidos. Mas ainda assim, a legalização da maconha e subprodutos em nível nacional enfrenta barreiras. Só há liberações estaduais.

Agora, uma lei federal promete flexibilizar o uso de produtos de cannabis em todo o país. E, com isso, empresas que plantam e fabricam estão na mira dos investidores, pela boas previsões de retorno, segundo analistas.

O projeto de lei no Congresso dos EUA está sendo redigido pela republicana Nancy Mace. As discussões começaram no início de novembro. Entre as medidas, está a idade mínima de 21 anos para o uso recreativo de cannabis. A regulamentação é muito semelhante à do álcool.

Um dos principais impasses é em relação aos impostos sobre a maconha e os derivados: tem senador sugerindo 25%. A versão do texto de Nancy Mace sugere 3,75%.

Mesmo aprovado pelos parlamentares, nada é garantido. Pra valer, a lei precisa ser sancionada por Joe Biden. E o presidente norte-americano é declaradamente contra a legalização total da maconha. Ainda assim, há expectativas positivas no mercado, visto que Biden já declarou que permitiria medidas para uso médico.

Fazenda de cannabis da empresa Flora Growth, na Colômbia.
Foto: Divulgação

Investimento no mercado de cannabis

A plataforma de análise de investimentos TipRanks destaca que a legalização federal nos EUA pode ser ser um catalisador da indústria de cannabis no longo prazo. "Acreditamos que os investidores continuarão a se concentrar nas operações listadas na NASDAQ, o que traz maior liquidez ao negociar em uma importante bolsa dos EUA. Em nossa opinião, esperamos empresas emergentes de cannabis subsequentes com crescimento robusto projetado para receber um [alto] nível de interesse de instituições e investidores de varejo ao longo do tempo.”

A TipRanks levantou duas ações emergentes com classificação de compra considerada de potencial alto de três dígitos para o próximo ano:

Flora Growth ($FLGC)

Empresa com sede na Colômbia, que tem uma lavoura de 247 hectares de cannabis e produz diversos produtos, de cosméticos para a pele, a alimentos e bebidas.

A plantação de cannabis da Flora Growth é uma das maiores do mundo ao ar livre, e é considerada de alto nível: recebe 12,5 horas de luz solar por dia e é abastecida por seis nascentes de água.

Em maio, fez o IPO no mercado de ações dos Estados Unidos, ou seja, abriu capital na bolsa, e levantou mais de US$ 16 milhões em receita bruta.

A empresa exporta para a América do Norte e a Europa. Para o segundo semestre de 2021, prevê faturamento entre US$ 9 milhões e US$ 11 milhões.

Uma das vantagens da Flora Growth é o baixo custo de operação na Colômbia. Além disso, se beneficiou com a recente legalização da exportação de flores por parte do governo colombiano. Isso também pode favorecer, segundo especialistas, a venda de seus produtos na América Latina.

De olho na expansão mundial do mercado de cannabis, a Flora Growth está construindo uma rede de distribuição global de CBD e THC para venda no atacado.

IM Cannabis Corporation ($IMCC)

Empresa de Israel, líder em cannabis medicinal no mercado interno desde 2008. Também opera no Canadá e na Alemanha. Assim como a Flora Growth, também está construindo uma rede global de distribuição.

A IMC registrou três trimestres consecutivos de crescimento de receita. No segundo trimestre deste ano, o último reportado até nov/2021, a receita foi de US$ 8,91, 27% sobre a mais do que no segundo trimestre de 2020.

A IM Cannabis Corporation vende flores e óleos de maconha. Foto: Divulgação

Em outra análise, a TipRanks levanta outras três opções para quem quer investir em empresas do mercado de cannabis, com potencial de valorização, segundo os dados da plataforma, e consenso de analistas de Wall Street sobre classificação como “compra forte”:

Verano Holdings ($VRNOF)

Tem 11 instalações de cultivo de cannabis e comercializa seus produtos no varejo nos Estados Unidos, em 87 pontos de venda.

Opera com quatro marcas, para atender às regulamentações de cada estado norte-americano. E anunciou recentemente avanços pelo território nacional.

No segundo trimestre de 2021, teve receita de US$ 199 milhões, resultado recorde, com aumento de 164% em relação ao mesmo período do ano passado.

Green Thumb ($GTBIF)

Atua com produtos médicos e de consumo à base de cannabis. Possui 16 fábricas e 66 lojas de varejo. Entre os produtos recreativos da Green Thumb estão cigarros de maconha pré-enrolados, "vapes" (cigarros eletrônicos), e alimentos, como bolos com "dosagem social".

No terceiro trimestre deste ano, a empresa reportou receita de US$ 233,7 milhões, crescimento de 48,7% na comparação com o mesmo período de 2020.

Cresco Labs ($CRLBF)

Assim como a Green Thumb, a Cresco Labs trabalha com maconha medicinal e de consumo recreativo. Tem 20 unidades de produção, 9 linhas de produtos e opera em 10 estados nos EUA. Extratos medicinais e alimentos à base de maconha, e folhas a granel para fumar são alguns dos produtos da Cresco.

No terceiro trimestre de 2021, as receitas da empresa chegaram a US$ 215,5 milhões, aumento de 40,6% em relação ao mesmo período do ano passado.

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