Turbulência nos céus: como fica o setor aéreo com a Ômicron?

Veja um panorama sobre as duas companhias aéreas brasileiras listadas na bolsa de Nova York. E conheça 3 aéreas americanas que também estão no mercado de ações dos EUA.

Não é novidade para ninguém que o turismo foi uma das áreas mais afetadas durante a pandemia – com destaque para as companhias aéreas. O tempo fechou para o setor, com lockdown nas fronteiras entre países e todas as medidas restritivas para conter a disseminação do vírus.

O impacto da pandemia no setor aéreo

Nas contas da Associação Internacional de Transporte Aéreo (Iata, na sigla em inglês), a pandemia de Covid-19 deve resultar em um prejuízo de mais de US$ 201 bilhões no setor aéreo até 2022 (a pesquisa não especifica o mês), mesmo com ajudas bilionárias dos governos a às companhias aéreas.

O céu vinha clareando, é verdade. Depois de um tombo gigantesco em 2020 – quando as aéreas amargaram um prejuízo de US$ 138 bilhões –, as perdas foram bem menores em 2021 – cerca de US$ 52 bilhões.

Isso porque o avanço da vacinação reaqueceu os voos domésticos em muitos países. E, aos poucos, também era possível observar uma leve retomada dos voos internacionais.

Para este ano, a projeção da Iata, feita em outubro de 2021, era de uma perda de US$ 10 bilhões – para que, então, o setor voltasse ao azul em 2023.

Só que… a decolagem durou pouco. E as empresas tiveram de fazer um pouso de emergência.  

O impacto da nova variante, a ômicron, no setor aéreo

Já no finalzinho de 2021, em meados de dezembro, apareceu uma nova e enorme turbulência para as companhias aéreas: a descoberta de uma nova variante do coronavírus, a ômicron, que mostrou os efeitos rapidamente.

Apesar de as festas de Natal e Ano Novo serem dias de pico nos aeroportos, a rápida disseminação da variante ômicron, altamente transmissível, levou a um aumento acentuado nos casos de Covid-19.

As companhias aéreas tiveram que cancelar voos, inclusive por falta de profissionais, já que pilotos e tripulação também estava se contaminando.

Só no fim de semana do Natal, foram cancelados cerca de 7,5 mil voos em todo o mundo, segundo a plataforma FlightAware. Já no primeiro final de semana de 2022, foram mais de 4 mil cancelamentos no mundo – metade deles nos Estados Unidos.

Ainda segundo a FlightAware, das festas de fim de ano até a primeira semana de janeiro, foram mais de 28 mil voos cancelados mundo afora - entre os principais motivos, estão a pandemia e também o mau tempo.

A Iata já alertou que a ômicron, sobre a qual pouco ainda se sabe, tem, sim, potencial para travar a retomada do setor – pelo menos temporariamente.

Os mercados europeus, por exemplo, já mostram sinais de desaceleração, com a volta de medidas de lockdown e de restrições de fronteiras.

Há quem esteja um pouco mais confiante. O banco Morgan Stanley afirmou que está otimista com as ações de companhias aéreas americanas. Espera que o serviço se regularize no segundo trimestre e acelere no segundo semestre, para voltar forte em 2023.

Diante desse cenário todo, vale a pena investir nas companhias aéreas agora? A resposta é depende – e exige MUITO, mas muito cuidado. Como o setor está no vermelho, com ações das empresas em baixa, investir nelas pode ser uma boa oportunidade de valorização no longo prazo.

Mas especialistas alertam que se trata de um investimento muito arriscado, principalmente por causa das incógnitas a respeito da variante ômicron e seus efeitos. Ou seja: se você espera ganhos no curto prazo, é mais indicado manter distância.

AZUL ($AZUL) e GOL ($GOL) em NY

Vamos agora falar de algumas companhias aéreas listadas na bolsa, começando pela Azul – que é brasileira, mas já nasceu com um sotaque gringo.

A Azul foi fundada por David Neeleman, um brasileiro criado nos Estados Unidos. Com experiência na área da aviação, Neeleman, que já tinha criado a aérea americana low cost (de baixo custo) JetBlue, tirou seus planos do papel e, em 2008, fundou a Azul – também na proposta de uma empresa low cost.

A brasileira cresceu rápido no mercado interno e logo foi para o mercado externo. Debutou no mercado de ações em 2017, e optou pela chamada dupla listagem: abriu capital na B3, bolsa brasileira, e listou suas ADRs (recibos de ações) na bolsa de Noya York, a NYSE.

No Brasil, a aviação é um mercado de poucas empresas, mas cada vez mais disputado. Até novembro de 2021, último dado disponível no site da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), Azul, Gol e Latam tinham, cada uma, um terço do mercado brasileiro – com a Azul levemente à frente.

Em terra firme, nos balcões brasileiros, atualmente a Azul só concorre com a Gol. Isso porque o grupo chileno-brasileiro Latam saiu de vez da B3 em 2016 - hoje opera na bolsa de Santiago.

Já nos EUA, onde a aviação é muito mais pulverizada, a história é outra.

Primeiro, a Azul compete com a própria Gol, que também tem recibos de ações negociados na bolsa de Nova York.

Na NYSE, Azul e Gol recuaram, respectivamente, 42,2% e 38,9%, em 2021.

Junto a elas no mercado americano de ações, estão gigantes aéreas dos Estados Unidos, com destaque para as companhias de baixo custo, que são bem fortes e consolidadas por lá. Aqui, listamos algumas para você conhecer:

JetBlue Airways ($JBLU)

Fundada pelo brasilerio David Neeleman, que depois criaria a Azul. Está entre as maiores companhias aéreas de baixo custo do mundo. Segundo a plataforma Statista, em 2020, tinha 4,7% do mercado nos Estados Unidos. Em 2021, as ações da JBLU na Nasdaq recuaram 2%.

Southwest Airlines ($LVV)

Uma das maiores companhias aéreas dos Estados Unidos. Está sediada em Dallas, Texas. Em 2020, detinha 17,4% de mercado americano, atrás apenas da American Airlines, com 19,3%. Em 2021, as ações da empresa caíram 8% na NYSE.

Fronteir Group Holdings ($ULCC)

Sediada em Denver, Colorado. Em 2020, detinha 3,6% do mercado nos Estados Unidos. Abriu capital na Nasdaq no dia 31 de março de 2021; logo, ainda não completou um ano de mercado. Mas, de lá para cá – até 10 de janeiro de 2022 –, as ações tiveram uma queda de 24%.

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