4 dicas para Bear Market: pra onde correr num momento de baixa do mercado

Reunimos dicas de especialistas sobre como investir em momentos de bear market

O mercado financeiro opera em ciclos – os celebrados momentos de alta e os temidos momentos de baixa.

No jargão do mercado, são chamados de bull market e bear market.

  • Bull market ("mercado touro"): mercado em alta, com valorização das ações e investidores mais otimistas.
  • Bear market ("mercado urso"): mercado em baixa, com ações em queda e investidores mais pessimistas.

Por que esses nomes?

O conceito vem da natureza mesmo:

  • O touro ataca de baixo para cima - ou seja, de forma ascendente.
  • O urso, ao atacar uma presa, se movimenta de cima para baixo - ou seja, de forma descendente.

Bear market: entenda melhor

No bear market, os investidores estão, em geral, mais pessimistas. Não sobre uma ou outra ação, mas sobre o mercado como um todo.

Isso significa que há mais pessoas querendo vender as suas ações, temendo sofrer prejuízos maiores lá na frente.

Com isso, a oferta de ativos acaba sendo maior do que a demanda, fazendo com que os preços caiam ainda mais. 

Bearish

Derivando de Bear, o adjetivo bearish significa “como um urso”.

É usado para caracterizar um momento desafiador da economia, com inflação alta, desemprego crescente ou algum setor em baixa.

Cenário hoje 

Atualmente, estamos vivendo um ciclo de baixa no mercado americano. Ou seja, bear market.

O bear market geralmente ocorre um pouco antes ou depois de uma economia entrar em recessão.

Portanto, não se refere a uma queda pontual, e sim prolongada.

É o que estamos vivendo agora.

A pandemia de Covid-19 desencadeou uma recessão global, com paralisação da atividade econômica, perda de empregos e inflação alta.
Nos EUA, a inflação é a maior em 40 anos – o que motivou o banco central do país, o Fed, a iniciar um novo ciclo de alta de juros.

Isso também “penaliza” o mercado acionário, pois quando a renda fixa - que é de menor risco - fica mais atraente, investidores acabam migrando capital para esse tipo de aplicação.

Assim, retiram dinheiro do mercado de ações, que consiste em investimento com mais risco. Isso baixa ainda mais os preços.

A boa notícia é que ciclos de baixa costumam durar bem menos do que ciclos de alta.

Além disso, podem ser uma oportunidade para investidores mais experientes comprarem ações baratas, aumentando o potencial de ganhos.

Mas, atenção: isso só serve para investidores que mirem no longo prazo.

Reunimos abaixo dicas de especialistas sobre como se deve investir em momentos em que o mercado está em baixa.

4 dicas para investir quando o mercado está em baixa

1. Faça investimentos constantes na Bolsa, independe de preço

Estratégia dollar-cost-averaging ("custo médio do dólar")

Defende que o investidor aplique dinheiro em determinado ativo de forma constante e periódica, sem condicionar o dia ou horário do aporte a outros fatores.

  • Ou seja, é evitar aplicar todo o dinheiro de uma vez, só porque o preço de alguma ação baixou, ou deixar de comprar na expectativa de que baixe mais.

Dessa forma, em vez de uma grande aplicação em determinado ativo, o investidor faz compras menores e periódicas.

Podem ser compras semanais, quinzenais ou mensais. Também é aconselhado aplicar sempre o mesmo valor.

A ideia é simples: com aportes menores e regulares, em vez de uma única aplicação volumosa, o investidor acaba se protegendo da volatilidade da bolsa.
O objetivo não é ter a melhor rentabilidade possível, mas sim ter mais segurança e menos trabalho.
Um exemplo:

Vamos supor que você tenha comprado ações a 100 reais e agora o preço está 80.

Pode ser tentador investir uma boa quantia de dinheiro na ação a 80, para baixar o seu preço médio, certo?

Mas, e se esse não for o limite dela e, na semana seguinte, ela cair a 60?

Então, em vez de fazer uma única compra mais volumosa tentando se aproveitar do preço, você faz pequenas compras, mas constantes, que vão diluir o risco e a volatilidade.

2. Diversifique seus ativos

Vale sempre

Essa dica é velha - e valiosa. Não só em tempos de bear market, mas em bull também.

Você pode, de um lado, procurar “barganhas” do mercado. Mas pode também investir em ações mais estáveis, pra minimizar as perdas do seu portfólio.

Outra indicação dos especialistas é procurar ações que pagam bons dividendos. Isso porque, ainda que o preço das ações não suba, o investidor recebe proventos.

Por fim, não esqueça deles: títulos públicos, que são uma parte essencial de qualquer portfólio. Eles costumam ir na direção oposta do preço das ações. Portanto, são uma forma de proteger a carteira.

3. Invista em setores que costumam se sair bem em crises

Tem que se informar sobre o mercado (no blog da Sproutfi, você encontra vários conteúdos exclusivos)

Alguns setores da economia são mais resistentes a recessões do que outros.

Por isso, uma boa alternativa é investir em ETFs com empresas desses setores, chamados de defensivos.

4. Foque no longo prazo

Dica pra vida

Se você investe na bolsa pensando a longo prazo, a história mostra que os ciclos de alta ofuscam os ciclos de baixa.

Pode ser tentador se desfazer das ações num momento de queda, mas é a pior coisa que você pode fazer. É preciso ter sangue frio e mirar o futuro. 

“Mas, e se eu precisar do dinheiro?” A resposta é simples: é importante que a sua reserva de emergência esteja em aplicações seguras e líquidas na renda fixa.

Na Bolsa, o indicado é investir o dinheiro pensando em usá-lo em, pelo menos, cinco anos.

-

Disclaimer: importante lembrar que em qualquer investimento denominado em moeda estrangeira, as mudanças nas taxas de câmbio podem ter um efeito adverso no valor, no preço ou na receita de dividendos desse investimento. Mesmo que a diversificação possa ajudar a diluir o risco, ela não garante lucros ou proteção contra perdas. Há sempre a possibilidade de perder dinheiro quando você investe em qualquer produto financeiro. Por isso, considere cuidadosamente seus objetivos e riscos antes de optar por qualquer investimento.